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Preguiça

Abriu a janela às 7h e deu de cara com um sol ofuscante.

Coisa assim só se vê nas manhãs de verão, pensou.

Esforçou-se para que os olhos ficassem abertos

E desejou preguiçosamente que o inverno voltasse

Ultimamente, até sua insônia anda cansada.

Divulgação da exposição Processos, de Vital Lordelo.

Produzido para COLETIVO VENETA.

O artista plástico Vital Lordelo apresenta a exposição Processos na Galeria Mário Quintana, localizada na Estação Mercado da Trensurb, a partir desta sexta-feira, 13. A mostra inova no formato, apresentando três obras de 1,40 x 1,80 metros,  que fazem uma retrospectiva das exposições do artista em 2009.

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Canalha!

Bate-papo com Fabrício Carpinejar na Feira do Livro.

Produzido para COLETIVO VENETA

Dia 4 de outubro, a Câmara Brasileira do Livro (CBL) entregou o 51º Prêmio Jabuti aos vencedores dos três primeiros lugares das 21 categorias concorrentes. Dentre os vencedores, Fabrício Carpinejar foi o grande vencedor da categoria Contos e Crônicas com o livro Canalha! (2008, Editora Bertrand Brasil).

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Tempo

E se o tempo parasse, assim, de repente?

Como quem não quer nada,  sem pressa, sem reza

Sem acordar a gente…

Poderia viver de sonho, de flauta, de brisa

Sem querer ser o que quer que fosse.

O menino corre longe

Até parece comigo: meio calmo, meio insano

Sem abrigo.

Caminha mudo contando os passos

Não quer ir muito longe

Melhor assim!

Nem perto, nem distante de mim.

Entrevista com o grupo de teatro Santa Vísera.

Produzida para COLETIVO VENETA

Quando a faculdade acaba, o desejo que fica é de viver fazendo aquilo que se aprendeu e aquilo que se ama. E para conseguir isso vale até mesmo deixar a cidade natal e ir atrás de um lugar onde os sonhos sejam possíveis. Utopia? Não para o Núcleo de Pesquisa Teatral  Santa Víscera.

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Entrevista com Filipe Catto: carreira e musicalidade.

Produzida para COLETIVO VENETA

O músico e compositor Filipe Catto se apresenta no Teatro Renascença hoje, às 20h, com uma amostra do show Saga: Violão e Vísceras, acompanhado do violonista Ricardo Fa e com participação de Adriana Deffenti. O show faz parte do projeto Sons da Cidade, desenvolvido pela Secretaria da Cultura de Porto Alegre e o ingresso é 1kg de alimento não peresível.

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O despertador tocou. Eram 6 horas da manhã, e Paulo acordava para ir ao trabalho. Esse era seu primeiro estágio desde que começara a faculdade de Administração. Segunda-feira é sempre mais difícil levantar. Parece que as lembranças de final de semana, com 12 horas de sono, nos seguram na cama e não nos deixam acordar.

O ritual diário se repete. Com a cara amassada, Paulo se arrasta até o banheiro, escova os dentes, penteia o cabelo, encara-se no espelho como se não se conhecesse e dá meia-volta até o quarto. Liga o rádio para escutar a temperatura, escolhe uma roupa adequada e queixa-se. Todos os dias ele queixa-se da empresa não ter uniforme e de não saber o que vestir.

Paulo esquenta o leite no microondas, acrescenta o café solúvel e o açúcar, não necessariamente nesta ordem, e come o pão que sobrou do dai anterior com margarina. Todas as manhãs ele pensa que deveria acordar mais cedo para comprar pão novo, mas depois esquece.

Caminha apressado até a parada de ônibus. Como todos os dias, acaba se deixando ficar na mesa olhando a xícara vazia e quase esquece do trabalho. Naquele dia, porém, não precisou correr. Quando o ônibus chegou, ele cumprimentou o motorista com um aceno; não era o homem de sempre, e isso era estranho.

O ônibus estava praticamente vazio, com exceção de uma meia dúzia de rostos que ele não estava acostumado a ver todos os dias. Geralmente, Paulo precisa viajar em pé por pelo menos mais sete paradas até conseguir se sentar. Chegou a consultar o relógio, para confirmar que estava realmente dentro do horário. E estava.

Próximo da Rua 36, Paulo puxa a campainha e o ônibus pára. Ele desce e começa a caminhar lomba abaixo, são mais quatro quadras até o prédio 1584. Já eram 7h40. As ruas, porém, estavam estranhamente desertas.

Na frente do prédio, nenhuma movimentação. Próximo deste horário, as pessoas já enchiam o saguão do antigo edifício. O porteiro lia o jornal com o café preto ao lado, uma expressão de preguiça.

- Bom dia, seu José.

- Bom dia Paulo. Horinha extra hoje, então?!

- Quem dera fosse.

Paulo entra no elevador sem nem prestar atenção ao porteiro. Em frente à porta 609, ele suspira. A secretária ainda não havia chegado e a porta estava trancada. “Puxa, 7h55 e ninguém ainda”, pensa ele, quase indignado por ser estagiário e chegar antes de todo mundo.

Espera… Às 8h15 ele desce até a portaria, intrigado.

- Seu José, já se passou das 8 horas e ainda não chegou ninguém. O senhor sabe o que aconteceu?

- Olha, geralmente, ninguém vem trabalhar nos feriados.

Meus poemas

Faz tempo que não encontro a rima

Tento, tento, e a perco.

Por onde vai?  Que de tão longe já não vejo…

Escrevo, escrevo, e canso.

Descanso a caneta e o coração

Faz tempo que desisti.

Mas no fim, persisto

Revejo desejos perdidos…

E sempre volto para as páginas em branco.

Mais café

Tomou mais um gole e ergueu os olhos para o lado.

O outro par de olhos estava fixo nos seus

E por alguns segundos percebeu traços que nunca tinha percebido antes,

Traços bonitos.

Consciente, sorriu e desviou o olhar para as mãos.

Preocupou-se.

O que aconteceria se não estivessem bebendo café?

Todos os lugares da casa tem espelhos

Para que não me deixem esquecer o quanto me pareço com o meu passado.

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